Exposição O Mundo Através da IA no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, apresenta a história da inteligência artificial por meio da arte e da tecnologia.

O Mundo Através da IA no Sesc

Exposição “O Mundo Através da IA” reúne arte, história e tecnologia no Sesc 24 de Maio

Mostra internacional gratuita apresenta cerca de 70 obras de artistas de 15 países e convida o público a compreender a inteligência artificial para além das telas, dos chatbots e das ferramentas generativas.

O Sesc 24 de Maio, no centro de São Paulo, recebe até 29 de novembro de 2026 a exposição O Mundo Através da IA. Com entrada gratuita, a mostra reúne arte, história, ciência e tecnologia para explorar como a inteligência artificial se desenvolveu, quais estruturas sustentam seu funcionamento e de que maneira ela influencia a sociedade.

Por que visitar a exposição O Mundo Através da IA?

A inteligência artificial está cada vez mais presente no cotidiano. Ela aparece nos celulares, nas redes sociais, nas escolas, nos ambientes profissionais e em serviços utilizados por milhões de pessoas.

Mas o que realmente existe por trás dessas tecnologias?

A exposição propõe uma experiência que vai além das explicações técnicas. Por meio de instalações artísticas, imagens, documentos históricos e experiências visuais, o visitante encontra diferentes maneiras de compreender a relação entre seres humanos e sistemas computacionais.

O percurso reúne aproximadamente 70 obras de 29 artistas de 15 países, distribuídas em oito seções temáticas.

Concebida pelo Jeu de Paume, centro de arte de Paris, a mostra tem curadoria-geral de Antonio Somaini, pesquisador dedicado às relações entre imagem, cultura e tecnologia.

Não se trata simplesmente de uma exposição favorável ou contrária à inteligência artificial. A proposta é oferecer elementos para observar, questionar e refletir sobre uma transformação que já alcança praticamente todos os setores da sociedade.

O que a história desde 1500 pode ensinar sobre a inteligência artificial?

Uma das obras de maior destaque é Calculating Empires: A Genealogy of Technology and Power Since 1500, de Kate Crawford e Vladan Joler.

O trabalho apresenta um amplo mapa visual que relaciona aproximadamente cinco séculos de desenvolvimento tecnológico, sistemas de classificação, comunicação, conhecimento, infraestrutura e poder.

A obra permite perceber que muitos dos mecanismos associados à inteligência artificial contemporânea possuem antecedentes históricos.

Organizar informações, classificar pessoas e objetos, estabelecer padrões e automatizar processos são práticas que antecedem os computadores modernos.

O que mudou foi a capacidade de processamento, a quantidade de dados disponíveis e a escala com que essas operações podem ser realizadas.

Ao observar essas conexões, o visitante encontra uma pergunta importante: até que ponto as tecnologias atuais representam uma ruptura e até que ponto ampliam estruturas que já existiam?

Quando começou a inteligência artificial?

A história da inteligência artificial não pode ser resumida a uma única data.

Em 1950, o matemático britânico Alan Turing publicou o artigo Computing Machinery and Intelligence, no qual apresentou o chamado jogo da imitação, posteriormente conhecido como Teste de Turing.

A proposta discutia se, durante uma conversa, uma máquina poderia produzir respostas difíceis de distinguir das respostas humanas.

O teste se tornou uma referência histórica, mas não constitui uma prova de consciência ou de pensamento humano em máquinas.

Outro marco ocorreu em 1955, quando uma proposta de pesquisa organizada por John McCarthy e outros pesquisadores utilizou a expressão artificial intelligence.

O encontro realizado em Dartmouth, em 1956, contribuiu para consolidar a inteligência artificial como campo de investigação científica.

Desde então, o desenvolvimento passou por diferentes etapas, incluindo sistemas baseados em regras, aprendizado de máquina, redes neurais e, mais recentemente, modelos generativos.

Hoje, a discussão também envolve agentes de IA capazes de utilizar ferramentas e executar sequências de tarefas, ampliando as possibilidades de aplicação da tecnologia.

O que existe por trás de um sistema de inteligência artificial?

Para muitas pessoas, a IA parece existir apenas dentro de um aplicativo.

Entretanto, seu funcionamento depende de uma infraestrutura física e humana complexa.

Na obra Anatomy of an AI System, Kate Crawford e Vladan Joler investigam os recursos envolvidos no funcionamento de um dispositivo conectado.

A pesquisa visual relaciona extração de matérias-primas, fabricação de componentes, transporte, centros de dados, consumo de energia, informações digitais e trabalho humano.

A experiência ajuda a compreender que serviços digitais não são completamente imateriais.

Por trás de uma resposta gerada em segundos, existem equipamentos, redes, energia, pessoas e decisões sobre como os sistemas são desenvolvidos.

Essa dimensão também abre espaço para discutir sustentabilidade, condições de trabalho e responsabilidade das organizações.

Como o Brasil participa da história da arte computacional?

A edição paulistana inclui sete cápsulas do tempo dedicadas à trajetória brasileira da arte computacional e às relações entre tecnologia, classificação e cultura.

Esses núcleos apresentam experiências anteriores à popularização dos sistemas de inteligência artificial generativa.

Entre as referências estão Waldemar Cordeiro, pioneiro da arte computacional brasileira, a poesia concreta, o movimento Poema/Processo e produções experimentais desenvolvidas ao longo do século XX.

As cápsulas permitem reconhecer que o Brasil também possui uma história relevante de investigação artística sobre linguagem, regras, imagens e computação.

A curadoria associada desse conjunto é assinada por Giselle Beiguelman, Bruno Moreschi, Gabriel Pereira e Mariana Tamashiro, com assistência de pesquisa de Gabriele Conti.

O que a exposição apresenta sobre DNA e computação quântica?

A relação entre organismos vivos, matemática e computação também aparece no percurso.

Esses temas ajudam a mostrar que a investigação científica não se limita aos computadores convencionais.

Na computação com DNA, moléculas podem ser utilizadas para representar informações e realizar determinadas operações. A área também investiga possibilidades de armazenamento digital.

Já a computação quântica utiliza princípios da mecânica quântica e unidades de informação chamadas qubits.

São campos diferentes, com métodos e desafios próprios. Por isso, expressões como “DNA quântico” precisam ser tratadas com cuidado, pois não designam uma tecnologia única e consolidada.

Entre as obras que aproximam arte, biologia e tecnologia está Culturas Degenerativas: Impacto Ambiental da Inteligência Artificial, de Cesar & Lois, colaboração entre Cesar Baio e Lucy HG Solomon.

A instalação convida o visitante a observar relações entre organismos, processos computacionais e impactos ambientais.

Por que a governança e a ética da IA são importantes?

À medida que sistemas de inteligência artificial passam a influenciar decisões, torna-se necessário discutir quem responde por seus resultados.

Governança de IA envolve princípios, responsabilidades, processos de avaliação e mecanismos de controle para orientar o desenvolvimento e o uso dessas tecnologias.

Na prática, isso inclui perguntas como:

  • Quais dados podem ser utilizados por um sistema?
  • Como identificar erros, discriminação ou resultados inadequados?
  • Quem assume a responsabilidade por decisões automatizadas?
  • Como garantir transparência e proteção de direitos?
  • Quais mecanismos permitem revisar ou contestar decisões?

Essas questões ganham importância em áreas como educação, saúde, emprego, serviços financeiros e administração pública.

Uma aplicação voltada ao entretenimento não apresenta necessariamente os mesmos riscos de um sistema utilizado para avaliar candidatos a emprego ou apoiar decisões médicas.

A governança busca justamente reconhecer essas diferenças e estabelecer responsabilidades proporcionais aos impactos possíveis.

Qual é o papel das políticas públicas e das organizações internacionais?

A inteligência artificial atravessa fronteiras e afeta diferentes países, setores econômicos e grupos sociais.

Por isso, seu desenvolvimento também passou a integrar debates internacionais sobre direitos humanos, educação, trabalho, segurança e inclusão digital.

Em 2021, os Estados-membros da UNESCO adotaram a Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial.

Em 2024, o Pacto Digital Global das Nações Unidas incluiu a cooperação digital e a governança da IA entre seus temas.

Em 2025, a Assembleia Geral da ONU estabeleceu mecanismos internacionais voltados ao diálogo sobre governança e ao acompanhamento científico da inteligência artificial.

Essas iniciativas procuram ampliar a participação de diferentes países e oferecer referências para políticas públicas.

O desafio não é apenas acompanhar o desenvolvimento tecnológico, mas criar condições para que seus benefícios sejam acessíveis e seus riscos sejam avaliados.

Uma exposição para quem quer entender, não apenas utilizar IA

Um dos méritos da proposta é aproximar temas complexos de pessoas que não necessariamente possuem formação técnica.

Professores, estudantes, profissionais de diferentes setores e visitantes interessados em cultura podem encontrar pontos de conexão com suas próprias experiências.

A exposição também convida a refletir sobre o futuro.

Será que, daqui a dez anos, a inteligência artificial será percebida como hoje percebemos a internet, o Wi-Fi ou os smartphones, tecnologias tão integradas ao cotidiano que muitas vezes deixamos de notar sua presença?

Não existe uma resposta definitiva.

Mas compreender como essas tecnologias surgiram, como funcionam e quais escolhas acompanham sua utilização pode ser tão importante quanto aprender a operar suas ferramentas.

Onde fica a exposição e como visitar?

Exposição: O Mundo Através da IA (Le Monde selon l’IA)

Local: Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, República, centro de São Paulo.

Piso da exposição: 5º andar.

Período: 6 de agosto a 29 de novembro de 2026.

Horários: terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

Entrada: gratuita.

Classificação: livre.

A programação e eventuais alterações de horário podem ser consultadas no site oficial do Sesc São Paulo.

Perguntas frequentes sobre O Mundo Através da IA

A exposição O Mundo Através da IA é gratuita?

Sim. A mostra tem entrada gratuita e permanece em cartaz no Sesc 24 de Maio até 29 de novembro de 2026.

É necessário conhecer programação ou inteligência artificial para visitar?

Não. A exposição é voltada ao público geral e apresenta conceitos tecnológicos por meio de obras, documentos e instalações artísticas.

Quem organizou a exposição?

A mostra foi concebida pelo Jeu de Paume, centro de arte de Paris, com curadoria-geral de Antonio Somaini e uma equipe de curadoria associada para os núcleos brasileiros.

A exposição apresenta apenas inteligência artificial generativa?

Não. O percurso aborda também sistemas de classificação, reconhecimento, infraestrutura, história da computação, impactos ambientais e relações entre tecnologia e sociedade.

Por que a exposição é relevante para estudantes e profissionais?

Porque oferece uma oportunidade de compreender a IA de maneira interdisciplinar, relacionando conhecimento tecnológico, cultura, história, ética e transformações profissionais.

Arte e conhecimento para compreender a transformação tecnológica

A exposição O Mundo Através da IA oferece uma oportunidade de observar a inteligência artificial por perspectivas que nem sempre aparecem nas demonstrações de ferramentas e nas notícias sobre novos modelos.

Ao reunir experiências artísticas, referências históricas e discussões contemporâneas, a mostra amplia o repertório de quem deseja compreender o papel da tecnologia na sociedade.

Para o Intercâmbio IA, acompanhar iniciativas culturais e educacionais como essa faz parte de uma proposta mais ampla: aproximar as pessoas do conhecimento e incentivar o aprendizado contínuo.

Atualizado em: outubro/2026.